LAMEMO divulga História Arquitetônica da Santa Casa de Misericórdia do Pará nos seus 376 anos
No dia 24 de fevereiro de 2026, a Santa Casa de Misericórdia do Pará celebrou seus 376 anos em um evento voltado para funcionários, servidores e usuários do hospital. Como uma iniciativa de cunho de educação patrimonial para os servidores, organizada pela Santa Casa junto ao Museu da Santa Casa, foram ministradas aulas sobre a história da fundação.
| Cartaz de divulgação do evento publicado pela Santa Casa |
O Lamemo esteve presente nas atividades de comemoração, sendo convidados para ministrar as aulas a Profª. Drª. Cybelle Salvador Miranda e seus orientandos, a doutoranda Camyla Torres e o mestrando Arthur Moreira, pesquisadores que integram um grupo de pesquisa acerca da Santa Casa de Misericórdia do Pará e a arquitetura assistencial da Região Norte.
| Profª Drª Cybelle Miranda iniciando a apresentação sobre a história da instituição Foto: Santa Casa, 2026 |
O edifício sede da Santa Casa de Misericórdia do Pará foi inaugurado em 1900, no entanto, a fundação da Misericórdia no Pará remete a meados dos 1600, com atividades sendo realizadas em uma edificação modesta, no Largo da Misericórdia, atual Praça Barão do Guajará. No período da chegada das Misericórdias ao Brasil, os hospitais administrados por irmandades católicas eram o único meio de acesso à saúde para os desvalidos ou pessoas com pouco poder econômico considerando que ainda não existiam serviços de saúde pública. Com o passar dos anos a Santa Casa de Misericórdia do Pará estendeu sua gestão para outras instituições da capital, como o Hospício dos Lázaros, Cemitério Nossa Senhora da Soledade, Cemitério Santa Izabel, Hospício dos Alienados e Hospital Domingos Freire.
Com epidemias como a da cólera, a febre amarela e a da varíola, a higienização e o planejamento das cidades foi tratado como uma estratégia de contenção do avanço das doenças, especialmente no início do século XX com a administração de Antônio Lemos. Em 1900 é inaugurado a edificação sede atual, ao redor da qual se desenvolveu todo o complexo da Santa Casa, planejada para se estabelecer em uma região um pouco mais isolada do que até então era o centro de Belém, mas ainda assim em um núcleo de crescimento da capital.
| Apresentação da doutoranda Camyla Torres Foto: Santa Casa, 2026 |
O pesquisador Arthur Queiroz Moreira, mestrando do LAMEMO descreve um pouco como foi a palestra do seu ponto de vista:
"O convite veio da equipe do Museu da Santa Casa, junto à Secretaria da Gestão. O contato com a equipe foi um grande presente para o laboratório, pois representou o início de um diálogo com o grupo que preserva a memória da Santa Casa. Nas sessões matutinas nas quais estive presente, todos os lugares estavam ocupados por servidores atentos a cada fala nossa. Em suas expressões, eram visíveis que a cada slide e explicação surgiam sinais de concordância (por já saberem do que estávamos falando), surpresa (por ser apresentada algo novo que não conheciam sobre a instituição) e seriedade para entender cada fala minha e da professora."
| O mestrando Arthur Moreira em sua apresentação, no turno da manhã. Foto: Santa Casa, 2026 |
"Um ponto me chamou a atenção: ao falarmos dos detalhes arquitetônicos do hospital, o mural de pastilhas cerâmicas da Enfermaria São José (bloco destinado aos cuidados pediátricos) foi recebido com um ar de questionamento: "Eu não conheço esse mural, onde fica?". Então, um jovem com vestes azuis, possivelmente um enfermeiro, disse: "É no bloco infantil, o São José, eu já fui lá!". E, novamente, vieram comentários como: "Eu nunca fui". Nas duas sessões em que estive, houve o mesmo apontamento. Isso evidencia algo bem comum aos profissionais da saúde: muitos ficam isolados em seus setores de trabalho e poucos têm a oportunidade de acessar determinados locais do hospital. O caso do mural foi um exemplo disso. Assim, podemos atentar para o valor das ações de educação patrimonial para a equipe hospitalar, a fim de compreendermos as vivências que os usuários têm e promover esta troca entre a comunidade hospitalar e a equipe do LAMEMO, para nortearmos futuras pesquisas."
| Ouvintes da aula do período da manhã Foto: Santa Casa, 2026 |
"Também ao final da apresentação, alguns ouvintes vieram nos parabenizar e falar um pouco sobre as questões de preservação dos elementos arquitetônicos do hospital. Na nossa exposição, fomos questionados sobre a ponte de madeira com ladrilhos hidráulicos do Bloco da Antiga Maternidade. Ao conversar com a enfermeira Lia Basto, ela citou o quão dolorosa foi a demolição da passarela e que, por mais que os servidores tivessem se oposto, ela aconteceu. A enfermeira relatou o quanto é uma ferida para alguns falar sobre isso; em determinado momento, ela disse: "Quando descobri, eu chorei". São nestes momentos que se torna importante a pesquisa arquitetônica no patrimônio da saúde: para identificarmos as arquiteturas significantes para a comunidade e iniciarmos um diálogo de preservação e respeito pela memória dos usuários e da instituição. Vejo como o evento foi frutífero e, ao finalizar, ambas as partes concordaram em promover mais encontros como este e estender a palestra ministrada a mais usuários do hospital."
A Santa Casa de Misericórdia do Pará possui uma história marcante como patrimônio da saúde, por contribuições científicas e por sua influência em toda a região norte. Além disso, contribui de forma significativa para o acesso de assistência à saúde no estado do Pará, sendo um dos principais objetos de estudo do Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural.
Para mais informações:
Cobertura do evento pela Agência Pará
Cobertura do evento pela Santa Casa do Pará
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