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Crônica do Filme O quarto ao lado, de Pedro Almodóvar

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  O QUARTO AO LADO, de Pedro Almodóvar Cybelle Salvador Miranda Professora Titular FAU/PPGAU/UFPA Da série ‘Pinturas Partilhadas' de Pedro Almodóvar e Jorge Galindo. O intuito de se firmar como um realizador universal teve êxito, Almodóvar trata de um tema muito sensível e tece diálogos que unem os dramas particulares com as tragédias globais em seu novo filme. O resultado é atingido por um conjunto de fatores, em que as unidades são indissociáveis do todo: direção de arte, atrizes excepcionais, arquitetura e paisagem estonteantes e diálogos profundos, num ritmo lento e leve, ao mesmo tempo. A narrativa não perde fluidez nem densidade, nem mesmo com as citações à cultura cinematográfica e literária. Mas, e a eutanásia? Na minha leitura, é um filme que trata de morte, mas deixa uma mensagem de vida. Há um quarteto de personagens, centrado na dupla Martha (Tilda Swinton) e Ingrid (Julianne Moore), jornalista e escritora, ambas mulheres fortes com carreiras consolidadas e de grande ex...

Ninguém escapa ao seu destino - Crônica do filme Golpe de Sorte em Paris (WOODY ALLEN, 2023)

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GOLPE DE SORTE EM PARIS, de Woody Allen Cybelle Salvador Miranda Professora Titular   FAU/PPGAU/UFPA O quinquagésimo filme do diretor reitera sua predileção pelo tema do destino, e, como tal, pode ser analisado sob vários pontos de vista. Considerando o diretor como um leitor de Freud e que brinca com o acaso, optamos por esta abordagem para lê-lo nas entrelinhas. A estrutura dos personagens é armada em triângulo, cujo vértice é ocupado pela personagem feminina, Fanny, casada com Jean e que inicia um relacionamento paralelo com o antigo colega de colégio, Alain. O diretor nos convida para um passeio, como aquele citado por Freud quando trata da livre associação: somos os passageiros que vemos passar as cenas da paisagem, cujos temas surgem em nosso campo de visão sem que tenham uma conexão aparente. Essa estratégia é revelada pela obsessão de Jean por uma estrutura criada com um trem de brinquedo, relíquia dos anos 50, quando confessa à sogra que fora uma criança rejeitada...

Crônica do filme UM LUGAR SILENCIOSO - DIA UM

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  Cybelle Salvador Miranda Doutora em Antropologia Pesquisadora PQ 2 CNPq Coordenadora do Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (LAMEMO) Líder do Grupo Arquitetura, memória, etnografia AME     Paramount Pictures   Ao findar a película, me faço a pergunta: Qual a personagem central da trama? A história, dirigida e roteirizada por Michael Sarnoski, inicia com uma panorâmica de Nova York, a metrópole símbolo do mundo civilizado. E o comentário sobre o ruído produzido que alcança 90 db, o mesmo que um grito contínuo. A primeira sequência desenvolve-se num asilo para doentes terminais, durante uma reunião de grupo em que se destaca a fala de Samira (Lupita Nyong'o), que recita uma poesia de sua autoria, expressando raiva e descontentamento com sua condição e com o local em que reside. O enfermeiro chefe a convida para um passeio – e ela condiciona sua ida a comer uma pizza “na cidade”. Tomam o ônibus e, no trajeto, passam por um extenso cemité...