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Mostrando postagens com o rótulo resenha cultural

BASÍLICA DE NAZARÉ: REFÚGIO, ISOLAMENTO, PATRIMÔNIO E (RE)CONHECIMENTO

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Wagner J. Ferreira da Costa O isolamento social em Belém do Pará firmado pelo Governo do Estado desde final de Março do presente ano, na tentativa de amenizar os efeitos nocivos a população causados pelo Coronavírus (COVID-19), pôs em evidência o quanto a cidade que criamos nos assombra e, em contrapartida, permitiu que vislumbrássemos o papel do patrimônio da Basílica Santuário de Nazaré em meio a pandemia, enquanto “refúgio”, que se faz (re)conhecer nos tempos atuais, mesmo que demarcada por uma certa “invisibilidade visiva”, dada a poluição visual do bairro de Nazaré e/ou pela assimilação das formas existentes por parte dos indivíduos da localidade compondo seu cotidiano, e, portanto, como algo “comum”. No seu livro “Paisagens urbanas”, publicação de 1996, Nelson Brissac Peixoto descortina a dimensão da cidade contemporânea como uma justaposição, um cruzamento de espaços e tempos distintos que convivem no mesmo cenário, passando desapercebidos quanto a sua complexidade, em v...

O modelo tomarense e os frontispícios da arquitetura religiosa colonial brasileira

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Alçado modelo Tomar. Desenho Alberto Souza Tomando como base as considerações de Alberto Sousa, no livro A progênie brasileira de uma Fachada da Renascença , a resenha publicada pela Profª Drª Cybelle Salvador Miranda , no portal Vitruvius, traz análises de Sousa quanto o modelo paradigmático do Renascimento italiano, explanando quanto a suas influências e difusão no território brasileiro. O modelo, por sua vez, é apresentado pela fachada da ermida de Nossa Senhora da Conceição, em Tomar, Portugal, e exprime a influência do Tratado de Vitruvio como fonte inspiradora na concepção do desenho. Nesse âmbito, apresentam-se os templos católicos edificados no Brasil como exemplares do método paradigmático aplicado às frontarias por meio de um processo adaptativo. Compõe-se, assim, análises quanto a difusão do "modelo tomarense", explanadas por Souza, que delimitam as ideias de adaptação do modelo à realidade das construções coloniais e imperiais brasileiras, contribuindo par...

Resenha: "Pedro Teixeira - Uma aventura épica na Amazônia", de Anete Costa Ferreira

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Por Karina Pamplona e Cybelle Miranda Capa do livro "Pedro Teixeira - Uma aventura épica na Amazónia" “As caravelas ao atravessarem o Atlântico, deixaram perpetuadas as ligações entre Portugal e Brasil. Portugal foi o catalisador do mosaico étnico na miscigenação do branco como gentio e o negro que nos deu essa raça única no mundo – o povo brasileiro – naquele gigante que se chama Brasil, cuja extensão se deve aos bravos navegadores portugueses Pedro Álvares Cabral, António Raposo Lopes, Pedro Teixeira e muitos outros” (Nota da autora, p.17 )        Nesta obra composta pela reedição revista e ampliada de A exposição de Pedro Teixeira – A sua importância para Portugal e o futuro da Amazónia, é apresentado o personagem Pedro Teixeira, militar português, bandeirante que explorou a até então inexplorada  Amazônia,  fincando os alicerces que permitiram manter como português um território indubitavelmente espanhol no Tratado de Tordesilhas, moldando t...

Resenha Cultural: Faust de Sokourov

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Resenha desenvolvida por Cybelle Salvador Miranda sobre o filme "Fausto", do diretor russo Alexander Sokourov, em cartaz no mês de outubro no Cine Estação das Docas. Cena do filme   Fonte: www.sddistribution.fr Fausto é um homem sem tempo. Na versão de Sokourov, as imagens sombrias e esfumaçadas nos transportam a um lugar que não se define cronologicamente: homens de cartola e fraque caminham por vielas de um vilarejo rural, no qual personagens deslocam-se em carruagens. Casas em enxaimel e métodos primitivos de tratamento as enfermidades. Fausto é um homem universal – médico, astrônomo, filósofo, mas que, a despeito de seus conhecimentos, não consegue viver com o que pensa ser a justa recompensa a seus dotes.   Questionamentos universais unem-se com conflitos psicológicos e desajustes familiares, visível tanto nos pontos de vista contrários acerca do dinheiro presente entre Fausto e seu pai, cujas máximas de ascetismo e simplicidade não o contentam, quanto na...

Breve resenha da história do Cineclubismo em Belém do Pará

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      Nos últimos anos ocorreu uma expansão dos cineclubes a partir da paixão cinéfila de um grupo de intelectuais que se interessavam não só especificamente pelo Cinema enquanto Arte, a 7ª arte, mas também pela Literatura, o Teatro e as Artes Plásticas. Três grupos ocorreram para a estruturação: o Cineclube “os Espectadores”, Cineclube “os Bandeirantes” e o ARTS. Fundado em sessão de 11 de fevereiro de 1955 à Avenida Nazaré 429, Os espectadores teve como primeiros membros Antonio Munhoz Lopes, Abilio Diogo Couceiro, Joaquim Francisco Mártires Coelho, Maria Sylvia Ferreira da Silva Nunes, Benedito José Viana da Costa Nunes, Orlando Teixeira da Costa (1º presidente da sessão e grande incentivador do cinema no Pará) e Stella de Castro Ribeiro. Foram registradas em Ata sessões desta associação até 2 de fevereiro de 1958.       Ao mesmo tempo, no porão da casa do então universitário Pedro Veriano Direito Alvarez eram projetados filmes ...

Resenha Cultural: Um Homem de Duas Vidas (Toto le Héros, 1991), de Jaco van Dormael

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                Trata-se de um belo filme que mereceu o prêmio de melhor diretor estreante no Festival de Cannes de 1991. O diretor belga Jaco Van Dormael, desde as primeiras cenas revela-se um realizador seguro (consta que sua experiência anterior era de clips publicitários, o que certamente lhe forneceu a base para uma linguagem cinematográfica sintética e objetiva). A partir de roteiro original, Um homem de duas vidas ( Toto le héros , no original) o diretor constrói uma obra usando narrativa alinear, densamente poética, sensível, mesclando sonho e realidade. A estória é narrada na primeira pessoa, e segue um estilo acronológico, isto é, os fatos narrados não obedecem a uma sequência lógica, mas sim a lógica do inconsciente, onde todas as peças enigmáticas de um quebra-cabeça se encaixam. Em síntese, a estória aparentemente simples é de um homem comum, como qualquer cidadão da classe média ocidental cristã...

Resenha Cultural: Próxima estação, Paris - Uma viagem histórica pelas estações do metrô parisiense de Lorànt Deutsch (Paz e Terra, 2011)

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Que tal dar um passeio?                 O livro pode ser definido como um guia de reconhecimento da história de Paris tendo como ponto de referência o local das estações de metrô, que abrem-se como passagens no tempo. A experiência pessoal do autor de reconhecimento da cidade, quando se tornou seu habitante, aos 15 anos, transborda a paixão por essa urbe célebre. Tal qual um arqueólogo, escarafuncha os mínimos vestígios do passado, escondidos em edifícios particulares, cafés, muros, aos quais o acesso é raramente possível. No mapa do presente assinala as várias camadas de história, como o pesquisador benjaminiano de “Escavar e lembrar” e o júbilo com que o decurso do tempo pode ser experimentado ultrapassa a fronteira material das páginas e atinge o leitor.                 A 1ª estação situa-se na Cité, antiga Lutécia, ainda dividida e...